RESUMO DE ARTIGOS PARA BASE
TEÓRICA
POR: Barbara C. Gonçalves -
outubro 04, 2019
Resumo sobre os artigos lidos
para atuação no projeto.
INTRODUÇÃO
Pensar
a educação em uma perspectiva libertadora que liberte das amarras do sistema
nunca foi fácil. No Brasil, devido ao caráter autoritário governamental e,
principalmente por seu total alinhamento aos ditames do capital, nos deparamos
com um entrave histórico-político-social evidente. Temos então o suporte
essencial trazido pelas análises teóricas voltadas para uma ótica
histórico-crítica dessa nossa mesma realidade desigual e podadora de sonhos por
natureza por parte de dois estudiosos da relação entre a educação pública e a
possibilidade de utilizá-la enquanto instrumento libertador dos trabalhadores:
Paulo Freire e Florestan Fernandes. Pretendo a seguir delinear os pontos
principais da teoria de ambos que se coadunam para alinhar à proposta do componente
curricular Ação Curricular de Extensão I (ACE), trabalhado no segundo período
do nosso curso de Serviço Social (2019.1) que propõe a capacitação dos
discentes em suas etapas de proposição e execução por meio de metodologias
ativas, indo periodicamente a uma escola nos entornos da comunidade
universitária para inserir seus estudantes em atividades e serviços socialmente
pertinentes. Para fazer a discussão a seguir, a metodologia utilizada foi a
pesquisa bibliográfica baseada na leitura e fichamento de artigos e livro para
posterior análise e síntese.
DESENVOLIVMENTO
O
educador Paulo Freire trouxe para a educação o viés político e social, enquanto
ação que não deposita conhecimento inútil nos indivíduos, mas que traz esse
conhecimento para a realidade dos indivíduos, emponderando-os. Trabalhou a
Educação Popular, que preconiza a participação dos indivíduos enquanto cidadãos
que se veem diante da construção e implementação possível dos questionamentos
para um embate político. Baseou-se no sistema democrático brasileiro para fazer
as provocações necessárias ao mesmo, questionando o desastre nas escolas
públicas, o que evidencia o desdém do Estado para com tal instituição. Essa
ligação de Freire com a luta por democracia era bastante pertinente, visto que
viveu durante o duro regime militar brasileiro, sendo por esse perseguido
devido às suas óbvias objeções a tudo que fosse condicionar o sujeito a se
conter diante das aberrantes desigualdades.
Tratar
de Florestan Fernandes é refletir primeiro um pouco sobre o modo de vida que
ele teve, marcado pelos confrontos diários com a realidade para sobreviver, que
o privou da escola por muito tempo. Como vítima do sistema capitalista algoz,
via nessa mesma realidade uma necessidade de buscar intervir nela enquanto sujeito
histórico e social. Assim, por influência de um amigo jornalista, voltou a
estudar e, por fim, entrou no curso de ciências sociais, onde se destacou,
seguindo carreira acadêmica como professor universitário, preocupado em atuar
utilizando a educação como sua grande ferramenta para investigação dos fatos
(inclusive muitos dos quais antes não compreendia e que o condicionaram por
tanto tempo a uma vida muito sofrida). Foi um teórico assumidamente marxista
que procurou compreender as contradições da sociedade, fundando a sociologia
crítica brasileira. Em sua linha de pensamento humanista e socialista, refletiu
sobre as minorias brutalmente exploradas e condicionadas pelo capital: os
índios, negros e pobres, demonstrando sempre seu compromisso em estudar, entender
e defender essas minorias, tendo-as sempre como protagonistas em potencial de
sua própria história. Havia portanto uma preocupação em trazer à consciência
dos indivíduos a importância de lutar para mudar radicalmente a ordem vigente,
ou seja, em suas bases. A educação então assume seu papel político, tendo como
papel principal o ensino conectado à realidade prática, emancipando os
educandos.
Os
dois autores defendem que enquanto ser social não podemos nos omitir dessa luta
árdua, não existe neutralidade nos sujeitos. Aqueles que se opõem à ordem
vigente devem deixar isso bastante claro em suas práticas educativas e posições
ético-políticas no mundo. Já aqueles que não se posicionam quanto a que atitude
tomar, acabam por satisfazer tudo aquilo que o sistema espera: conformidade e
constância sociais e, assim, acaba por colaborar (mesmo que inconscientemente)
para a perpetuação da opressão dos sujeitos menos favorecidos. Nisso, até mesmo
a neutralidade é um posicionamento político, visto que mantém desiguais os
desiguais. Porém é importante ressaltar que Florestan Fernandes vai além de
Freire na medida em que nega a pedagogia do oprimido e defende uma pedagogia da
desopressão (emancipadora), trazendo a indissociabilidade entre o ser professor
e o ser cidadão.
CONCLUSÃO
O
professor então deve problematizar e dar um novo significado à pratica
educacional para ir de encontro inclusive com os aparatos do Estado, que pregam
ideologicamente a ideia de normalidade da falta de acesso a oportunidades por
parte da maioria desfavorecida. Isso pode ser feito inicialmente por meio da
desconstrução desse imaginário do senso comum. Trazer a tona discussões
teórico-políticas também se faz importante nesse âmbito, inclusive fora dos
muros da escola, que muitas vezes até em sua configuração física já é uma
barreira. É necessário problematizar essa educação que se nos apresenta para
buscar uma perspectiva de classe. Compreender que a educação pública precisa
deixar de cumprir o papel de mera formadora de mão-de-obra barata para a classe
dominante, reificando-o. A ordem do dia para a escola e outros ambientes
formativos não pode continuar sendo a preparação para o mercado de trabalho.
Trazendo
essas teorias para a realidade cotidiana da escola Corinto da Paz, o componente
curricular Ação Curricular de Extensão I visa justamente por intermédio do
Projeto Aprender a Aprender traçar estratégias de atuação social para
proporcionar muito mais do que serviços de relevância, um meio de conscientizar
os alunos da turma de EJAI sobre a importância de resistir à opressão
continuando os estudos e mostrando a relação dos conteúdos com o cotidiano
deles.
É
importante salientar que o corpo desse texto sofrerá as devidas ampliações e
modificações após a exposição junto a turma para definir as atuações junto à
escola.
REFERÊNCIAS
PEREIRA, T. I. Paulo freire e Florestan Fernandes: por uma
universidade pública e popular. Disponível em: http://antiga.uffs.edu.br/wp/wp-content/uploads/2010/06/Thiago-Ingrassia-Pereira.pdf
CAETAINO, M. Paulo Freire e Florestan Fernandes: diálogos necessários sobre a democracia e
a escola cidadã. Disponível em: file:///C:/Users/Windows10/Downloads/6892-Texto%20do%20artigo-19830-1-10-20170606.pdf
Comentários
Postar um comentário