RESUMO DE ARTIGOS PARA BASE TEÓRICA

POR: DAYARA SOUZA E NATHALIA FERREIRA 

 

A questão da geração em turmas de EJA: uma análise a partir da história. (Anísio José Pereira Filho)

 

INTRODUÇÃO

A modalidade EJA (educação de jovens e adultos) vem mudando o seu perfil etário nos últimos anos, os jovens, atualmente tem preenchido o espaço da sala da EJA, fazendo com que o cenário das turmas EJA seja transformador, inovador, que desconstrói e desafia a estrutura educacional (em sua maioria, arcaica).

DESENVOLVIMENTO

A presença dos jovens na modalidade EJA se dá por um fator relevante, como disse CARRANO, que o jovem aparece nas sociedades ocidentais como um período de preparação para o mercado de trabalho, o que os faz assumirem a responsabilidade de um adulto, apesar da pouca idade que tem. Além disso, o jovem acredita que nas turmas EJA a densidade dos conteúdos é melhor de ser absorvido, o que facilita seus estudos, por outro lado, muitos alunos da ACE: Projeto ‘’Aprender a aprender’’ se queixa da falta de aprofundamento nos conteúdos, já que o tempo na modalidade é reduzido.  Por um lado, jovens que encontram uma solução para conciliar os estudos com o seu cotidiano corrido (entrada no mercado de trabalho precoce), por outro, um problema para os mais velhos dentro da turma, que chegam até a desistir dos estudos por conflitos com a geração mais nova, sendo a presença do jovem na turma EJA prejudicial (pelo fato de alguns jovens irem somente ‘’atrapalhar a aula’’, prejudicando aqueles que realmente se esforçam). Além da presença dos conflitos entre os alunos jovens e adultos, os professores e a escola se queixam muito da presença dos jovens na modalidade, pelo fato desses jovens serem hiperativos em sala de aula, chegando a algumas vezes atrapalhar o foco dos colegas de classe, quanto a isso, é importante observar que essa geração no ambiente escolar sempre foi considerada instável, árdua, incompreensível, que não possuem valores, entre outras coisas.

    Essa questão de conflitos entre gerações ultrapassa o âmbito escolar, vai do familiar até o social, quando por exemplo, um homem de 40 anos não abre mão de seus costumes e valores morais e chegam a julgar os mais novos por suas práticas e o sentimento de que a geração mais nova não conserva os costumes considerados corretos e que dominam a geração mais velha. Outra questão relevante é a dos professores não compreenderem a situação dos jovens, que estão passando sempre por uma diversidade de processos e que precisam de uma metodologia mais dinâmica, pois o modelo de ensino arcaico ainda presente nas escolas é exaustivo para a geração da mudança e inovação.

CONCLUSÃO

            Com essa inserção dos jovens na modalidade EJA, o ambiente é mais propício a dificuldades e desentendimentos entre as diferentes gerações ali presentes, porém, é necessário um modelo educacional que concilie e crie uma dinâmica de acessibilidade e inclusão, de forma que essa questão não prejudique o acesso ao conhecimento de todos os estudantes.

EJA: COMO LIDAR COM OS CONFLITOS GERACIONAIS (Ewerton de Souza)

 

INTRODUÇÃO

Normalmente o EJA é composto de adultos que trabalham e por diversos motivos não tiveram acesso à escola no tempo determinado, mas, atualmente o índice de jovens no espaço da sala de aula EJA só cresce.

DESENVOLVIMENTO

As causas mais comuns são a falta de acesso a escolas, ou trabalham muito novos e não consegue conciliar, ou vulnerabilidade extrema. Existe também a possibilidade de que a escola regular não está se adequando com a evolução das gerações e continua com modelos arcaicos de ensino, por isso o grande número de expulsão de jovens por problemas de comportamento, dificuldade de aprendizagem dentre outros. Algumas escolas já atendem ao projeto de inovação, como sala de aula invertida, introdução de mídias digitais, porém ainda são poucas. O conflito de gerações também dificulta uma sala mais atrativa para os jovens, já que pertencem gerações diferentes com visões diferentes de sala de aula, no entanto a única solução ainda é dialogo e atividades de ressocialização, o professor do EJA têm esses outros problemas que são enfrentados cotidianamente.

CONCLUSÃO

A administração escolar, juntamente com os professores, deve desempenhar o papel de profissionais que conciliará conflitos entre a turma, mudanças de metodologia de aula que tornem mais próximas as gerações e a retirada da imagem daquele professor arcaico, para que cada aluno possa atingir seus objetivos de forma que as diferenças não interfiram.


Entre velhos e jovens: conflitos geracionais e ressentimento (Kimi Tomizaki)

 

INTRODUÇÃO

A instabilidade de direitos sociais, civis e políticos se intensificaram muito diante do cenário brasileiro, onde diferentes gerações que passaram por momentos diferentes no desenvolvimento de direitos tiveram acessos distintos a fatores que são considerados determinantes para se ter uma posição na vida em sociedade.

 

DESENVOLVIMENTO

 O que é um conjunto geracional?

 Um grupo de pessoas que se sente ligado por um destino comum e que tem uma ligação entre si, certa semelhança de experiência de vida, no âmbito social-político-econômico.

    

   Ao ver a definição de conjunto geracional, pode-se observar o porquê cada geração tem um modo de pensar e agir, pois são um grupo que tem uma proximidade social e de expectativas, principalmente em relação aos horizontes que são possíveis ou não para uma determinada geração.  Com isso, em períodos de retirada de direitos, os diferentes grupos geracionais (que tiveram oportunidades desiguais) terão que competir entre si, o que gera um ambiente conflituoso, de competição, e de dificuldade de convivência, que é fomentado pelo sistema que vivemos e naturalizado na consciência de cada um, sendo muitas vezes involuntário, porque a ideologia do sistema nos obriga a viver no piloto automático e praticando o individualismo característico dos últimos séculos.

   No Brasil, com o alongamento da escolarização, o acesso de diferentes gerações ao ensino superior aumentou, o que diminui as desigualdades educacionais entre gerações, porém, os estudos apontam que o nível de mobilidade intergeracional de educação tem sido maior do quê a renda, ou seja, ter uma formação em uma faculdade não é ter automaticamente uma renda, é necessária uma competição para ver quem consegue uma vaga de emprego (que muitas vezes oferta pouco salário) mas que é disputadíssima.

A pesar dos avanços em geração de emprego nos governos Lula e Dilma a desigualdade ainda tem um índice muito alto, mas, a questão é: quanto esse processo de transformações que impulsiona novas gerações influencia os conflitos de gerações?  E é nesse sentido que a restrição a alguns direitos fundamentais como acesso à escola, saúde pública, água tratada como outras que influenciam na vida social futura de qualquer pessoa, como modo de agir, pensar que foi criado num determinado momento histórico e numa determinada situação social e econômica.

CONCLUSÃO

E é nesse cenário precário que diferentes gerações que tiveram acessos desiguais à educação e trabalho se confrontam, sendo obrigados a praticar o ‘’cada um por si’’ para poderem sobreviver.


Os Jovens, as políticas sociais e a formação educativa ( Janice Tirelli Ponte de Sousa)


INTRODUÇÃO

              Os jovens sempre foram um grupo que sofreram com a escassez de políticas sociais, sendo excluídos também de fatores social-econômico-educacionais, programas voltados a esse grupo são limitados e não abordam questões que realmente irão fazer diferença em sua vida.


DESENVOLVIMENTO

No capitalismo, a juventude se tornou o momento de transição para a entrada no mercado de trabalho, tudo é resumido a isso, o papel da escola não é formar pensadores, é formar mão de obra barata para o lucro e benefício dos capitalistas, vivemos atualmente com um exemplo claro disso, o corte de gastos feito pelo atual presidente Jair Bolsonaro na educação superior, o projeto de privatização das universidades públicas, entre outros que visam a exclusão do jovem pobre, negro e periférico brasileiro. A escola agora é a principal produtora da naturalização e estimulação á concorrência, ela se limitou a atender o propósito capitalista de criar indivíduos que agem e raramente pensam, e se o fazem, fazem conforme dita a ideologia criada no âmbito escolar. O jovem brasileiro estuda para conseguir ser aprovado no vestibular, se conseguir, passa a faculdade inteira pensando no momento de sua formação, onde almeja se inserir no mercado de trabalho, quando o consegue, se esforça para ganhar o melhor salário, ou seja, a competição e os ideais capitalistas se enraizaram na consciência do jovem do século XXI, e a escola (que deveria desconstruir isso, só alimenta cada vez mais). Quando isso não acontece (na maioria das vezes) o estudante pobre, pressionado por suas condições precárias de subsistência com falta de serviços públicos que possam auxiliá-lo, vê-se obrigado a inserir-se no mercado de trabalho, e na maioria das vezes, é alvo do trabalho informal (é o que lhe resta, pois se não ele e sua família não irão sobreviver), algumas vezes, quando não abandonam a escola, os jovens tentam conciliar uma rotina de trabalho com estudo, onde a primeira tem uma sobrecarga maior e a segunda fica para segundo plano, pois ‘’estudar não enche barriga’’, com isso, os jovens não tem perspectiva de futuro, se contentam com o que tem, já que são estimulados e forçados a serem robôs, e não sonhadores. 

Na ausência de políticas sociais, o estado promove alguns paliativos, como o programa ‘’Jovem aprendiz’’ que visa promover um trabalho educativo, porém esses programas só são uma faceta para preparação daquele jovem para ser uma futura mão de obra barata, pois quando se promove a educação, o estado o faz no ritmo do mercado de trabalho, com princípios individualistas e competitivos.

Outro fator relevante quando a questão é a falta de políticas públicas de qualidade para a população jovem é a escassez de boa infraestrutura e a má qualificação de professores, que muitas vezes só estão ali pelo salário, tem um caráter autoritário e opressivo em sala de aula, não exploram a criatividade dos alunos, o que desmotiva os estudantes a dar continuidade aos estudos, sem contar a exclusão classista que se faz presente no ambiente escolar brasileiro, e aliado a isso, o discurso da meritocracia de que ‘’todos são capazes, basta ter força vontade’’ mas que não leva em consideração a situação particular de cada indivíduo.

CONCLUSÃO

O Brasil, sobretudo, necessita de políticas para os jovens efetivas e não soluções paliativas são necessárias a igualdade de oportunidades entre os jovens é importante enfatizar que as formações culturais regidas pelos pensamentos adquiridos possam influenciar no sentido que muitas famílias não compreendem a importância do desenvolvimento escolar de seus filhos. Com a diminuição dos investimentos nas áreas de cultura, saúde e educação com enfoque nas escolas púbicas contribuem para a privatização e os planos e valores regidos pelo mercado, os jovens brasileiros mais humildes sentem os efeitos de todas as problemáticas citadas, e sem mudanças efetivas o cenário não tem condições de mudar.

  O que falta é um sistema público que não tenha como foco o jovem como futura mão de obra barata, e sim como indivíduo produtor e reprodutor de criatividade e ciência, quanto a educação, é necessário um maior protagonismo dos estudantes, é preciso dar voz e oportunidades deles criarem e se recriarem na escola e na vida social.

 

REFERÊNCIAS

FILHO, J. A. P. A questão da geração em turmas de EJA: uma análise a partir da história. Revista Humanidades e Inovação v.5, n. 1, 2018.

SOUZA, E. EJA: como lidar com os conflitos geracionais? Nova Escola

TOMIZAKI, K; Entre velhos e jovens: conflitos geracionais e ressentimento.

SOUZA, J. P.; Os jovens, as políticas sociais e a formação educativa. Revista de Ciências Humanas, Ed. UFSC, n 26, out. 1999.

 


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